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Sonhado a dois, vivido a sós e a mil
Feliz, eterno como o vasto sempre foi
Lindo, amigo, azul, celeste anil
Pelas estrelas entreguei a minha sorte
A vã beleza de amar sem todo medo
Se todo medo fosse mesmo a dor do fim
Mesmo do fim seria todo o amor do mundo
E quem não bate à porta de tal sentimento
Ao vento sopra meu momento leve e puro
Seguro espera despertar o acalento
Das mãos de outrora que já seguem pelo adeus
Para quem ama e bem protege os seus
A paz no peito que amarga a vida
Dos doces lábios que afagavam a alma
aos pés descalços, sujos com a despedida
Felizes dos breves, que acendem o corpo
Vorazes os duradouros que consomem a mente
Bebemos a sede do que mais ardente
Termina em cinzas o afeto, morto
Ao bem de todos, dois mais nobres amigos
Fizeram a força de viver sem perguntar
O que bem resta deste fruto proibido
da natureza que bem se pôs a desenhar
Bem poderia lamentar pelo abrigo
E por tais males, respirar tal coração
E corro muito, por vontade, medo e fé
E do passado, corro mais que minhas pernas
Por essa graça, doce mel, prisão eterna
Jaz nas lembranças o poder do que foi feito
Perdi no tempo minhas memórias, terno leito
Nas tristes linhas, parte de mim por fim hiberna
Cabe ao futuro passar o presente de nossas luzes
Sobra ao passado iluminar nossas lembranças
Lembrar o sol, seus pores, suas virtudes
Chorar à lua a crescente dor das crianças
Fiz desse mundo o doce lar dos escondidos
E dos amados tiro a força dos poetas
Pelo presente, curto a dor dos decididos
Cultivo a vida, grande sorte dos nascidos
A Deus pertence esse sonho, vespertino
Por meu desejo faço ode ao meu destino
Se pelas sendas, quero a vida em mil caminhos
Por mim eu sigo, como sempre, bem melhor
Melhor dos fracos, que lamentam o que lhes resta
Queriam os fortes não chorar pela derrota
Se pela vida, optei por minha vida
Por minha vida, viverei meu bom agora
Agora e sempre, fortes trunfos da vontade
Sei para sempre que tais flores são essência
As melodias, doces sons da história escrita
História viva, sempre mais, sou reticências.
